Quem já teve filho provavelmente lembra do momento em que a criança experimentou um doce pela primeira vez. Um brigadeiro, um pedaço de bolo, um chocolate. A reação costuma ser grande, e tem explicação. A criança nasce preferindo o sabor doce, e Julie Mennella, do Monell Chemical Senses Center, mostrou que essa preferência é mais forte na infância do que em qualquer outra fase da vida, caindo ao nível adulto só no fim da adolescência. O que a exposição vai decidindo é quanto de açúcar a criança passa a achar normal.
Por isso a orientação de não oferecer açúcar antes dos dois anos aparece no Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos, na Sociedade Brasileira de Pediatria, na Academia Americana de Pediatria e na diretriz da OMS sobre alimentação complementar. Comprovar a recomendação é mais difícil. Seria preciso sortear bebês entre um grupo que come açúcar e outro que não come, e acompanhar os dois por setenta anos. Um estudo assim não se faz.
O Reino Unido acabou fazendo esse teste por outro motivo. Em 1942, no meio da guerra, o país racionou açúcar em 40 gramas por dia para adulto, 15 gramas para criança e nenhuma cota para menor de dois anos. O racionamento terminou em setembro de 1953 e o consumo quase dobrou em poucos meses, enquanto carne, queijo, cereais e gordura ficaram nos mesmos níveis. Quem nasceu antes daquela data passou os primeiros mil dias com pouco açúcar. Quem nasceu depois, não. Um experimento que ocorreu sem planejamento, por consequência da guerra.
Xingji Lian e colegas, da Universidade Médica de Guangzhou, publicaram em julho na npj Aging o que aconteceu com 60.394 dessas pessoas, participantes do UK Biobank acompanhados até 2022. Quem passou os primeiros mil dias sob racionamento teve…
Ficou curioso (a) para saber o que aconteceu com quem passou os primeiros anos de vida consumindo pouco açúcar?
No artigo, o especialista Lasse Koivisto apresenta os resultados do estudo e mostra o que foi observado décadas depois entre as pessoas que viveram os primeiros mil dias sob o racionamento de açúcar.
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Lasse Koivisto é membro da Healthy Longevity Medicine Society e mentor de diversas startups. Em 2020, iniciou um estudo aprofundado sobre longevidade e, recentemente, deu início ao projeto Alpha Origin, no qual publica semanalmente artigos que têm como propósito ajudar as pessoas a viverem mais e melhor na newsletter Longevidade News.
Em 2025 se tornou o primeiro colunista dos canais de comunicação das operadoras de saúde PASA e AMS em uma parceria para trazer mais informações aprofundadas e seguras para nossos beneficiários.
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